A oitava sessão do «n x Ciência às 5» desta edição decorreu no dia 27 de maio e teve por convidado o professor Dr.º Luís Vítor Duarte, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que nos brindou com uma estimulante, entusiasmante e atualíssima palestra da área da geologia. Com efeito, a comunicação centrou-se na análise de um recente estudo que interpreta um dos episódios de alteração climática e ambiental mais extremos e importantes da história da Terra: o Evento Jenkyns. O Evento Jenkyns refere-se ao Evento designado por «Anóxico Oceânico do Toarciano (T-OAE)», ocorrido há cerca de 183 milhões de anos, durante o período Jurássico Inferior e tal nome é uma homenagem ao geólogo britânico da Universidade de Oxford, Hugh Jenkyns, que documentou extensamente estas transformações globais. O Prof. Dr Luís explicou de forma entusiasmante em que consistiu essa alteração climática e fez referência a encontros e artigos científicos publicados em coautoria com o próprio Hugh Jenkyns que em conjunto, conseguiram provar a dimensão global da crise climática do Toarciano, com base no registo de isótopos de carbono em fósseis de madeira e rochas marinhas, que também se encontram em Portugal na zona do Rabaçal e das arribas de Peniche. Tais estudos baseiam-se na determinação das razões isotópicas dos elementos oxigénio, carbono e boro, e esses cálculos permitiram chegar às seguintes conclusões: que o evento decorreu durante o Jurássico Inferior (mais especificamente, no Toarciano); que nesse período decorreu uma ‘injeção’ massiva de gases de estufa (essencialmente metano); que esse evento foi acompanhado de vulcanismo extremo; e tendo ocorrido uma acidificação dos oceanos levando a uma extinção em massa considerável de 2ªordem.
Agradecemos enormemente ao Prof. Dr. Luís Vítor Duarte a forma brilhante como nos explicou com clareza e de forma tão fascinante este complexo tema da sua investigação bem como as suas viagens tão estimulantes na forma de saídas de campo contagiando a todos com as pesquisas que faz e os métodos de análise isotópica usados para estudar este evento. Provando, desta forma, que a Terra consegue sempre recuperar de alterações extremas, ainda que o preço a pagar durante esse processo seja catastrófico.
Equipa “n x Ciência às 5”