7ª Sessão do "n x Ciência às 5" - AS FUNÇÕES DO CÉREBRO E A ARTE

A sessão de maio do Nx ciência às 5 que decorreu no dia 6 de maio, no Espaço Miguel Torga, foi feita de reflexões, questionamentos, e partindo da contemplação de um quadro de Cézanne comoça com esta interrogação «O que acontece dentro do nosso cérebro quando contemplamos uma obra de arte?».

Foi em busca de uma resposta que o Prof. Dr. José Félix Costa, prestigiado professor da Universidade de Lisboa que se tem multiplicado em diversos campos do saber (Física, Matemática, Filosofia,…), nos conduziu pelos meandros de uma palestra fascinante em que, sob o olhar atento e aguçado dos presentes, ele foi compondo, como se pintasse com átomos, um quadro todo ele feito da intersecção entre a neurologia, a ciência e as artes. Esse quadro inacabado não é uma falha, mas um convite. Com efeito, quando o cérebro se depara com algo incompleto, o sistema visual e as áreas corticais de processamento superior não ficam passivos.

Assim, aprendemos! Durante a sessão, o Professor explorou o campo emergente da neuroestética, uma disciplina que utiliza métodos científicos para compreender as bases biológicas da experiência estética. José Félix Costa destacou ainda que a apreciação da beleza não é meramente subjetiva ou cultural, mas está profundamente enraizada em circuitos neuronais específicos.

Em suma: tratou-se de uma estimulantíssima e brilhante palestra que nos lançou a todos para temas que desafiam as fronteiras tradicionais do conhecimento, sobre os mistérios insondáveis da mente, sobre a compartimentação disciplinar e de conhecimentos, e provando uma vez mais, como diria Eduardo Guerra Carneiro que ISTO ANDA TUDO LIGADO!

Muito agradecemos ao Prof. Félix ter aceitado o nosso convite e por esta lição inolvidável sobre a OBJETIVIDADE DO BELO, e o esforço necessário de processamento interno que é, em si mesmo, uma fonte de prazer estético e estimulação cognitiva. Parafraseando, o para sempre eterno desconhecido Tomaz de Figueiredo, ilustre mestre das nossas letras, que  no seu  estilo aristocrático, arcaizante e avesso a modas facilitistas, que repugnava o fácil, dizia:

 "Quem escreve como toda a gente, não escreve nada; quem diz o que todos dizem, não diz coisa nenhuma." Fujamos do fácil, e não tenhamos medo de enfrentar o difícil!